domingo, 5 de agosto de 2018

Love

If there was ever a bad idea that turned out to work marvelously well, it was the idea of love. The basic idea is: take two imperfect, faulty human beings trying to survive the tempest that is life and bind them through an intense bond in the hope that things, overall, will get better for both of them.

And it actually works.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Gravidade

E as palavras e imagens que correm pelos caules das árvores acima, contrariando a gravidade, irrigam os troncos superiores e contam-lhes histórias de amor, de destruição e de leveza; histórias de como o peso não é só um peso, mas uma desculpa para contrariar as leis fundamentais da física, para as embeber em narrativa e para justificar a subida.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Herói

Carrego, voluntáriamente, um peso às costas. É composto por metáforas. Neste mundo, onde tudo tem por base o recurso estilístico, a gravidade é uma força literária avassaladora - levar pesos às costas, sejam costas aquilo que forem, não é tarefa simples. Entre os que carrego, um deles é o homem que caminha para um destino sem nunca lá chegar; outro é o do homem que tem um ombro do tamanho do mundo, onde chove incessantemente; e outro é uma serpente que me abraça e que voa comigo.

Não é que carregue os pesos de ânimo leve. Mas sem o peso, uma pequena brisa leva-me pelo mundo fora, e perco-me em todas as metáforas sem me identificar com nenhuma; não há sistema metafórico a que possa chamar casa. O corpo não pesa no mundo dos recursos estilísticos, mas uma boa história é uma estrela massiva.

O herói Beethoviano é um halterofilista de pesos metafísicos.

domingo, 19 de novembro de 2017

Percorrer a distância entre mim e o meu ideal.

A distância que separa o indivíduo do seu ideal é aterrorizante. O caminho é sinuoso e cheio de ausência; a distância é de índole metafísico, o que significa que não há número contável de passos que o permita chegar ao destino. Andar de encontro ao ideal, e tropeçar em rochedos feitos do intangível, e ser mordido pelas trevas; para quê? Sozinha, a alma é, desde cedo, demovida de percorrer tal caminho, e aceita a estagnação como natureza. A estagnação é um buraco negro deste espaço-tempo, onde o ser e todo o significado de palavras como amor, medo e liberdade, tendem a colapsar. E a luz do ideal, desse farol, emana. O propósito de um farol não é garantir que o barco chega ao destino; é apenas prestar a coordenada.

O dilema de um ser neste universo resume-se, então, a decidir mover-se de encontro ao farol sabendo nunca lá chegar, e tropeçar em pedaços de nada, sentir amor e o extremo oposto, medo e o seu antónimo, e todo o significado carregado por tudo o que é vivo nesse espaço; ou deixar-se ir no tapete rolante da ausência de sentido, onde luz não chegará.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Castelos de Estrelas

Olho para cima; o manto negro que cobre o dia morto ergue-se alto, salpicado aqui e ali de gotas de luz. Projectada no céu, uma imagem de tudo o que sou agora e tudo o que posso ser no futuro - ou serei eu, cá em baixo, uma projecção passada e imperfeita de um ideal luminoso? Estou de mãos dadas com uma figura incandescente; os seus dedos são erupções solares que se entrelaçam nos meus. Estamos a construir castelos com as estrelas do céu; queremos aproveitar todas as que nos dão, que são infinitas. E é precisamente infinitas que devem ser, para nunca cessarmos de as colher.